brainstorm minha de cada dia

Meninas bonitas pra quem escrevo,

Primeiro de tudo queria me desculpar por não estar participando tanto quanto deveria. Estamos recebendo um grande amigo aqui em casa. Ele chegou há mais de uma semana e deve ficar pelo menos por um mês. É o Jacob, um amigo sueco que sempre adorei e que acabou de passar 3 meses no Brasil na casa da Katxerê e do Oscar. O Oscar é sueco, grande amigo do Karl e a Katxerê é uma amiga brasileira que se casou com o Oscar e que agora está grávida e de volta a Estocolmo.

O Jacob passou esses três meses no Brasil e se apaixonou por tudo de uma maneira impressionante. Viveu no sítio mais incrível e místico do mundo, que os pais da Katxerê construíram há mais de 10 anos no meio da mata fechada nas montanhas perto de uma cidadezinha chamada Joanópolis, em São Paulo. Mas depois de três meses ele foi expulso do Brasil por causa de visto, claro, e só pode voltar pra lá daqui a 6 meses. Então ele tá sem rumo, a primeira idéia foi comprar passagem pra Amsterdã sem falar com a gente e simplesmente VIR. O que eu acho muito bonito e me faz sentir orgulhosa de pensar que alguém nem tão íntimo assim, mas que eu sempre amei tanto, pode se sentir confortável o bastante de escolher porto seguro na minha casa, dentre todas as casas do mundo, num momento tão complicado da vida dele.

Nossa vida desde que ele chegou tem sido fumar maconha e hash todos os dias e beber cerveja e falar, falar, falar e cozinhar coisas de pothead deliciosas e se jogar na cama queen size inflável e ver filme no projetor na sala. Nada mals. Estamos muito felizes e com certeza vou sentir saudade desses dias quando ele se for.

Agora um pouco de tudo.

Tou muito feliz pela existência desse blog. Dona Rosini Jelliffe sempre abençoada em suas idéias, haha. É muito bom receber email quase todos os dias com um novo post tão bonito e sincero e poder ler que aquelas coisas que a gente acha que só acontecem com a gente acontecem também com gente que a gente ama e admira e poder pensar (mesmo que a gente já saiba) que aquilo não é o fim do mundo e que mesmo que sua relação passe por momentos terríveis às vezes, pode ter certeza de que todas as relações são igualmente instáveis e que se você decidir se separar, sua próxima relação estará fadada a problemas similares depois de algum tempo de convivência, simplesmente porque A VIDA É ASSIM. E na maioria das vezes o melhor a fazer é mudar de assunto, inventar coisas legais pra fazer, desviar a atenção daquela discussão pra coisas leves, ignorar alguns pequenos problemas e viver da melhor maneira possível. O que importa é tão somente o agora.

Por isso, minhas amigas, não quero ter filhos. Não quero. Tenho medo, muito medo. Da responsabilidade, de me tornar alguém que vive meramente por outros alguéns, de não poder decidir a minha vida com liberdade de escolha e de expressão, de perder minha identidade que ainda nem totalmente conquistei, de amar aquele ser incondicionalmente  (porque eu sei que eu vou) a tal ponto que a mim nada mais importa e me esquecer de quem eu fui, sou e de quem ainda posso me tornar.

Babi, lembra de quando você levou sua mãe pra almoçar e na hora de escolher o prato ela se emocionou e disse que nem se lembra mais do que ela gosta por ter passado tanto tempo pensando no que a família gostaria de comer? Eu penso nessa história pelo menos 2x por mês.

Eu penso na minha mãe que vive de pensão de papai e que o que ela mais queria em toda a vida é ter meu irmão e eu (e papai também) ainda próximos e dependentes dos cuidados dela, a família ao redor, e – e agora? Sabe? Tenho medo. Soa covarde pra mim, soa covarde pra minha mãe, deve soar covarde pra vocês, mas acima de tudo me sinto muito aliviada por poder assumir o que sinto de verdade.

Um dia, quem sabe? O que eu queria mesmo era não precisar pensar sobre isso jamais e quando eu atingir meus 45, 50, se eu me sentir em plena vontade de dedicar minha vida inteiramente a outro ser, aí sim adotaria um bebêzinho lindo brasileiro pretinho ou uma criança carente em seus 4-5 anos de idade e daria a ele muito amor e oportunidade de estudo e os melhores cuidados que eu pudesse.

Há algumas horas eu estava conversando com os meninos sobre como me sinto aqui. Não sei, talvez seja muito cedo pra dizer, mas Às vezes parece que nunca vou me cansar de viver na Europa. É cinza, parece um bloco de concreto, mas tem tanta história, te tantos sentimentos, tem tanta paixão. E melancolia. E era assim que eu me sentia a vida inteira no Brasil, extraviada, sozinha, abandonada sem entender toda aquela alegria, apátrida. Mas por outro lado eu acredito que o sentimento de “pertencer” não pode ser trazido por um lugar, jamais. É um sentimento de dentro pra fora e nunca de fora pra dentro. Mas ainda assim, às vezes olho pra fora e vejo essa neve-chuva caindo do céu mais cinzento sobre os telhados duros dos prédios retangulares de concreto e penso: é aqui que eu preciso estar no meu agora. And everything is in place.

Whitney Houston morreu. E ontem no metrô eu sentei em frente a um cara que simplesmente ERA o Heath Ledger e eu quase não consegui me conter em dizer isso pra ele.

É muito engraçado como pessoas famosas às vezes nos dão essa impressão de que elas são nossos conhecidos.

Eu preciso urgentemente conseguir um trabalho por aqui. Precisa ser algo 1 a 3 vezes por semana com um salário qualquer, mas próximo da minha casa e que eu possa ir andando. Já que não consigo andar de bike, não quero ter que pagar 6 fucking euros só pra ir e voltar. O transporte público aqui é simplesmente insane.

Moramos em um apartamento lindo que é um sonho pra qualquer estudante daqui. Em uma das áreas mais caras da cidade, super central, 74m2, duas varandas, mobiliado com bom gosto, internet, luz, água, gás e cleaning lady once a month incluidos no preço. BUT… 1000 euros por mês. O que aqui não é muito mesmo, e nem no Rio isso não seria muito, mas pra gente é. E temos a melhor landlord do mundo, que convida a gente pra jantar comida chique e os melhores vinhos franceses e cuida da nossa gatinha de graça quando a gente viaja e não precisa de contrato, pagamos no dinheiro à vista e não temos data muito marcada pra pagar. BUT… fazer  quê?😦

Estamos começando a procurar outro lugar. Se eu conseguir um trabalhinho até lá de repente conseguimos manter. Vamos ver.

Essa questão do apartamento me deixa muito triste. E de dinheiro. Vivemos bem no limite de tudo. E não sobra muitos pros extras, pra roupas, cosméticos, maquiagens, viagens de fim de semana, cinema semanal, showzinhos e clubs todo sábado, comprar os melhores materiais pros nossos projetos de arte, não sobra muito pra nada disso. Dá, mas sempre bem apertado. E quanto a cosméticos, maquiagem, etc, eu sempre compro o próximo quando o último já não aguenta mais ser apertado pra liberar seu último fiozinho de vida, haha.

Mas toda vez que isso começa a afetar meu humor eu penso que em Estocolmo eu tinha aquele trabalho com TV e ganhava o dobro de agora e vivia comprando roupa e cosméticos e mesmo assim não fui feliz.  E eu me lembro bem do desespero, quando eu ia comprar roupa e comprava milhares de coisas que eu nem gostava, que muitas vezes nem eram meu número e quanto mais eu comprava, mais infeliz eu ficava. Porque na verdade o buraco não estava sendo tampado.

Hoje eu tenho UMA bota que eu gosto e uso todos os dias, e como eu piso torto, o salto já virou uma coisa meio triangular e ela não esquenta e nem aguenta mais nada, mas eu ainda uso e não me importo tanto porque eu sei que eu preciso urgentemente de uma bota nova, mas as únicas que gosto custam pelo menos 200 euros e agora não dá. E aí? Prefiro ficar com a de salto triangular. E já que eu não posso mudar isso agora, o melhor é ser feliz com salto triangular, porque ninguém gosta de ser triste nessa vida, né verdade?

Tristeza é uma escolha de vida e a responsabilidade é toda e somente nossa.

Vou tomar café da manhã com os meninos (às 4.30pm, haha).

BOM DOMINGO, meus amores.

V

2 thoughts on “brainstorm minha de cada dia

  1. rj says:

    Vitonga,
    voce eh tao linda e me da tanta vontade de sentar num bar e tomar e falar e chorar de bebadas.
    como eu sinto saudades dos cigarrinhos na varanda dos meus pais.
    que bom te ver feliz assim.to pra receber a visita de um casal no fim do mes,e to bem feliz tambem.
    Eu e o Dave queremos muito muito ir pra Europa esse ano,e com certeza vamos te ver e ver a Thai.Amsterdam eh um sonho,queria muito vivenciar um pouquinho disso.Eu amo a Europa,mesmo reclamando do frio e do cinza,tem alguma coisa que me conforta, e realmente eh de dentro pra fora,o problema nunca eh da cidade,mas creio que esteja where in life you are at, no que voce pode oferecer,aprender,viver…
    E grana pra todas nos acho que eh a mesma coisa,eh meio frustrante mas acho que o tempo vai acabar nos guiando pra uma estabilidade financeira melhor,ate porque casar,se bancar e ainda querer ter nossos luxinhos,ainda eh uma coisa bem nova pra gente.
    e eu to simplesmente amando ver todas aqui,juntinhas e cheias de amor.
    amo tanto tanto que o coracao explode!!<3
    xoxoxoxox

  2. vita says:

    Ai que feliz que vocês vão vir… você me disse isso mas ainda tou numas de que “só acredito quando as passagens forem compradas”? hahahaha
    Receber amigos que gostamos em casa é a melhor terapia de casal dessa vida! Aqui em Amsterdã infelizmente (ou MUITO FELIZMENTE?) acaba sendo uma rotina de muita maconha e muita bebedeira, porque isso é o forte daqui, as cervejas e entorpecentes mais incríveis a preços lindos. Mas vejo que receber gente querida em casa de todas as formas acaba deixando tudo tão mais leve. Arrumamos aqueles cantos da casa que precisavam ser mexidos ha tanto tempo, retiramos os últimos pratos nunca usados do armário, a energia se movimenta e o fato de ter alguém em casa não deixa muito espaço pra DRs ridículas e insensatas, geralmente tão desnecessárias.

    Muita saudade dos cigarrinhos na varanda, de não conseguir jogar minha guimba muito longe e entrar em pânico com o alarme do prédio, de usar todas as suas roupas lindas, de ter a sua cozinheira fazendo comidinhas pra gente e de abrir minha cabeça pra comer salada pela primeira vez e até da época louca insana de pó com Rogério e todo mundo no Entre Amigos II, hahahah. Parece outra vida e tão distante… E eu sei que isso jamais voltaria a acontecer da mesma forma, mas a saudade maior é do que ainda não aconteceu. Uma saudade de refazer história juntas e redescobrir uma a outra agora não em duo daqui ou duo de lá, mas em quádruplo.

    Babi, vem pra europa com a nini? VEM? Seria tão lindo se vocês se programassem pra virem juntas… acho que eu coração ia explodir.

    Amor muito.

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